O universo feminino a descoberto...

10
Mai 09

O meu coração palpitava cada vez mais. Olhava em meu redor e quase que não conseguia acreditar.

Ali estava eu, com os meus colegas de curso, amigos que me acompanharam nesta caminhada. Eram centenas de pessoas de olhos postos em nós e eu, apertava bem forte a mão da única pessoa que não puderia deixar de estar a  meu lado - o meu namorado.

Curso por curso, nome por nome, os tricórnios erguiam-se a cada salva de palmas como uma forma de saudação.

Naturalmente não conhecia todos aqueles estudantes, mas a cada nome que era chamado, sentia-me feliz por essa pessoa e desejava-lhe sinceramente toda a sorte do mundo.

 

 

Chegou a nossa vez!

Colocamo-nos em fila, cada um com o seu padrinho. Capas dobradas ao ombro, tal qual como todos combinamos, uns com ramos, outros não, ouvimos a longa lista de nomes dos alunos de curso, dos nossos amigos, e tão ansiosamente escutamos o nosso.

Olhei logo para as bancadas procurando receber um gesto, um sorriso, uma manifestação que me confirmasse que a minha família ouviu o meu nome.

Frente-a-frente com o meu namorado, tirei o meu tricórnio preto, ele colocou-me (torto..lol) o tricórnio cinza e vermelho e, após tocar-me em ambos os ombros com o bastão, deu-me as três pancadinhas na cabeça.

E aquele momento que eu tanto aguardava passou em segundos, sendo encerrado com um "boa sorte minha linda" e um beijinho repenicado. Emocionei-me mas não chorei.

A pressa do fotógrafo não me deu tempo para abrir os canais lacrimais.

Juntei-me aos meus colegas que estavam em círculo, com as capas pretas no centro do roda, a bater com os bastões no chão. Assim que nos juntamos todos, fizemos questão de gritar o nome do antigo curso, ou seja, o nome que o nosso curso tinha quando entramos, antes de Bolonha.

As Ciências da Comunicação deram lugar à "Coooooooooomunicação Social!".

Cantando o hino de curso, fechamos a roda e saltamos em cima das nossas capas...e salta C.S., e salta C.S., olé, olé!

Terminados os "rituais", foi ter com a Bárbara e demos um longo abraço muito muito emocionado. Desejei-lhe toda a sorte do mundo e ela a mim.

Tiramos umas fotos, e acabei por perder o meu namorado no meio do pessoal mas à saída lá estava ele à minha espera! Ele nunca me abandona.

 

 

Depois do almoço em família, segui-se a missa de finalistas no estádio Axa. Devido à confusão infernal que estava, só consegui chegar à celebração quando esta já estava a meio. Encontrei logo os meus colegas, arranjei um lugarzinho e fui assistindo ao que podia, pois o barulho e a confusão eram normais entre tantas pessoas.

Gostei especialmente da benção ao finalistas. Tantos tricórnios no ar, tanta cor, tanta alegria...e o sorriso carinhoso do sr. Arcebispo com os votos de muitas felicidades.

Chegou depois a hora de eu chorar. Ainda não tinha tido sequer tempo para isso. Mas nos breves segundos em que fizemos silêncio na consagração a Nª Sra do Sameiro, eu não me consegui conter.

Lembrei-me dos sacrifícios que fiz para continuar os meus estudos, dos sacrifícios que os meus pais fizeram, da ajuda que a família deu....de tantas coisas que passei.

Com as lágrimas escorrendo pelo rosto, pedi a Deus que me ajudasse e que olhasse por todos os meus amigos, que todos eles tivessem muita sorte e fossem muito felizes.

De repente deu aquele friozinho na barriga, aquele receio de não os voltar a ver...

A melancolia passou assim que o grupo coral nos presenteou com o maravilhoso "Happy day".

O resto da história já não tem nada de "mágico"...confusão na saída, lanchinho com a família e pouco mais.

 

Sem dúvida um dia para nunca mais esquecer.

 

"Este é o primeiro dia do resto da tua vida"!

 

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Tânia

elasequesabem às 10:34
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